Seria o início da Terceira Intifada Palestina?

fevereiro 26, 2013 at 6:09 pm Deixe um comentário

Dezenas de manifestantes, principalmente adolescentes, são feridos no segundo dia de protestos na Cisjordânia

Por Sâmia Gabriela Teixeira

Manifestante palestino empilha pneus incendiados em frente ao muro do Apartheid

Centenas de pessoas tomaram as ruas na Cisjordânia e Faixa de Gaza em protesto contra a morte do prisioneiro palestino Arafat Jaradat, morto sob tortura na prisão de Meggido, em Israel.

De acordo com a Associação Addameer de Defesa aos Presos Palestinos e aos Direitos Humanos, a autópsia do corpo confirmou claros sinais de tortura, com marcas no peito, costelas quebradas e ferimentos nos lábios e rosto. O Ministro de Assuntos sobre Detidos da Autoridade Palestina também confirmou a morte de Arafat sob condições de tortura e derrubou a explicação das autoridades do sistema carcerário de Israel de que o palestino teria morrido em decorrência de um ataque cardíaco.

Desde sua morte e funeral, manifestantes realizam protestos pelas ruas e próximo ao portão da prisão de Ofer, em Ramallah. No local, as polícias israelenses reprimiram os manifestantes e atacaram com balas revestidas de borracha, ferindo onze pessoas.

Em Belém, um garoto de 13 anos de idade, Muhammad Khalid al-Kird foi seriamente ferido por uma bala revestida de borracha, que lhe atingiu a cabeça, de acordo com informações da Crescente Vermelha.

Uday Sarhan, de 16 anos, também teve a cabeça atingida e, segundo a ativista Shahd Abusalama, segue em tratamento intensivo e já passou por cirurgia. Segundo ela, o garoto ainda corre o risco de morte.

Outros adolescentes ficaram feridos próximos a uma torre de controle militar.

Na região da Mesquita Bilal bin Rabah, ao sul de Jerusalém, na periferia de Belém, soldados israelenses utilizaram munição real contra manifestantes. Na região do campo de refúgio Aida, um garoto foi atingido duas vezes por munição real, e outros manifestantes o retiraram do local para receber socorro.

Na foto acima, a mãe de Muhammad Khali al-Kird observa seu filho hospitalizado

 

Garoto palestino ferido por munições reais é levado por manifestantes para longe dos protestos em Hebron (Foto: Ryan Rodrick Beiler)

 

Assédio contra palestinos e violência militar

Manifestante é ferido com bala revestida de borracha. Organizações de direitos humanos avaliam o uso deste arsenal “menos letal” inadequado pelas forças israelenses

Um ativista brasileiro que prefere não se identificar conta que, em uma casa situada na conhecida cidade fantasma em Hebron, uma família palestina foi atacada por colonos que lançaram garrafas de coquetel molotov na residência, e que dois dias depois ainda era possível ver as marcas e o cheiro dos rastros do ataque. Segundo o ativista, para cada 400 colonos israelenses, existem dois mil soldados para protegê-los. Além deste embate em relação aos assentamentos ilegais e a violência e força desproporcional entre colonos e palestinos, o ativista afirma que o trabalho das equipes de socorro, como a Crescente Vermelho, é prejudicado pelos ataques dos soldados israelenses, que aproveitam o aglomerado de pessoas próximas as ambulâncias no momento de entregar a vítima aos socorristas para atirar munições revestidas de borracha. Considerada pelas autoridades israelenses como arsenal “menos letal”, a bala revestida de borracha matou, de 1987 a 1993, ao menos 20 palestinos. De acordo com um estudo divulgado pela revista Lancet, em 2000, o uso da bala de borracha pelas forças israelenses contra os palestinos é impreciso, e o direcionamento do disparo resulta em ferimentos graves, provocando um número preocupante de mortes. De 152 vítimas, o estudo revelou que 201 lesões são vistas no rosto, cabeça, pescoço e o peito, indicando manuseio impróprio e alvos que provocam ferimentos graves e de probabilidade fatal alta.

Tortura nas prisões de Israel

Privação de sono, espancamento, humilhação e negligência médica são práticas comuns nas prisões israelenses (Foto: AP)

A jornalista israelense Amira Haas, em artigo publicado pelo jornal Haaretz, afirma que depois da morte de Arafat Jaradat chegou a hora de “interrogar os interrogadores”, salientando que é prática habitual que os presos palestinos nas prisões de Israel sejam privados de sono, acorrentados severamente, espancados, e que sofram humilhação e negligência médica. Isso, conforme ativistas e organizações de Direitos Humanos, é considerado tortura.

De acordo com a Associação Addameer de Defesa aos Presos Palestinos e aos Direitos Humanos, o corpo de Arafat Jaradat, capturado pelas forças israelenses em 18 de fevereiro e morto no último sábado (23), mostra marcas que confirmam a morte por tortura, durante ou logo após interrogatório na prisão de Meggido, em Israel.

A esposa de Jaradat ainda relatou que um oficial das forças israelenses permitiu que o palestino, durante a detenção, voltasse para se despedir da esposa. Por isso, ela acredita que o assassinato já era premeditado.

 

Quem era Arafat Jaradat

Familiares de Arafat Jaradat em seu funeral. O palestino foi morto sob condições de tortura

Arafat nasceu em 14/1/1983. Era da Vila Sa’eer, próxima a Hebron. Ele era casado e tinha duas crianças, uma de três anos e outra de dois anos. Sua esposa, Dalal, espera um outro filho de Arafat, que deve nascer em junho.

Ele cursava o primeiro ano na Universidade Al Quds, foi preso no dia 18/2/2013, no centro de detenção de Jalameh, onde foi submetido a longos interrogatórios. Ele não sofria de nenhum problema de saúde. O advogado da Associação Addameer de Defesa aos Prisioneiros Políticos Palestinos afirmou que Arafat não reclamava de nenhum problema de saúde, relatando apenas sentir dores nas costas, o que confirma a responsabilidade da Ocupação por sua morte.

Terceira Intifada anunciada

Nas redes sociais, ativistas compartilham fotos de manifestações e consideram a morte do prisioneiro Arafat mais um motivo de preocupação em relação aos prisioneiros políticos em greve de fome nas prisões de Israel, como o caso de Samer Issawi, sem comer desde agosto de 2012. Para ativistas e palestinos, este também é o estopim para que se inicie uma Terceira Intifada.

Abaixo, assista ao vídeo que mostra manifestantes jogando pedras contra jipes israelenses na Cisjordânia:

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