Inch’allah, a liberdade – Dica de filme

Segundo dados da Organização das Nações Unidas, de 2000 a 2006, das 69 palestinas que deram à luz nos checkpoints israelenses, 35 perderam os filhos em decorrência da falta de atendimento médico. E parece estar numa situação trágica como esta o ponto exato em que Chloe, obstetra canadense do Crescente Vermelho, decide optar por um dos lados da questão Israel-Palestina, cerne do filme “Inch’allah”, da diretora Anaïs Barbeau-Lavalette.

Em uma história com diversos grandes protagonistas, Chloe é uma espécie de campo de batalhas, e graças a ela é possível falar sobre o tema sem o perigo de ferir a versão de um lado ou outro. Na verdade, é por meio de seus conflitos internos que descobrimos não haver versões nesta história, que trata, com muita sutileza e muitos detalhes, a  principal personagem do filme: a liberdade.

A trama se desenrola a partir do que Chloe vivencia enquanto se divide entre a amizade com Ava, uma soldada israelense, Rand, uma jovem palestina de um campo de refugiados de Ramallah, grávida de seu primeiro filho, e sua família.

Chloe e sua amiga Ava, soldada israelense

Chloe e sua amiga Ava, soldada israelense

Embora a diretora busque mostrar a face dos dois lados, e o faz muito bem, os medos dos israelenses dizem muito mais respeito ao que cometem diariamente nos checkpoints do que propriamente ao terrorismo palestino, e evidencia a violência e a privação de liberdade que o lado ocupado sofre, além da miséria e da restrição de serviços, resultados dos bloqueios sistemáticos de opressão do governo israelense.

O chamado terrorismo como estratégia revolucionária já não é mais utilizado como a tempos atrás, e muitos são os exemplos, como Leila Khaled e seus sequestros de aviões, de como os palestinos procederam para que conseguissem a atenção internacional e conhecessem quem é este povo que exige justiça, liberdade e o direito de retorno aos seus territórios de origem. No entanto, a diretora arriscou incluir na história um atentado palestino em Israel, mas, ao menos, desta vez, contrapondo a prática costumeira da imprensa em geral, deu nome, rosto e história ao personagem, e assim como em Paradise Now, de Hany Abu-Assad, o ato terrorista ganha outro tom: “prefiro existir na morte do que não existir em vida”, diz a mártir palestina.

A convivência com a família de Rand gera conflitos internos em Chloe

A convivência com a família de Rand gera conflitos internos em Chloe

Só assim é possível proporcionar aos que assistem Inch’allah a chance de considerar outros atos de terrorismo em questão, chancelados pela chamada democracia israelense, como o muro, as cercas, os checkpoints, os lixões, a miséria, a violência e a falta de esperança das pessoas que sobrevivem em uma verdadeira prisão a céu aberto.

Sobre tais terrorismos, Chloe sente-se indignada quando dois israelenses são feridos levemente em um ataque e isso é notícia. No mesmo período, uma criança palestina morre atropelada por um jipe militar e nada é divulgado. “Meninos esmagados por jipes militares não são importantes para vocês israelenses”, diz a sua amiga Ava.

E como se fosse a interlocutora dos dois opostos, o olhar de Chloe expressa uma preocupação profunda, ao mesmo tempo apática, que ao longo do filme a consome e a faz perder completamente os medos e as inseguranças. Talvez, este seja o motivo de ter escolhido o lado mais fraco, porém mais destemido da história, pois somente quando ultrapassa o limite de sua confortável realidade em Israel e da vida agitada e despreocupada em Tel Aviv, descobre certa obrigação de não mais estar em lugar algum, e assumir claramente a defesa de um dos lados do muro.

O filme, apesar de ser contado a partir do olhar de uma estrangeira, não é imparcial. E não haveria maneira de ser, uma vez que esta é a realidade, constatada e criticada com base em leis internacionais e denúncias de organizações de direitos humanos. Apesar de, conforme tratados e leis, muitas práticas israelenses estarem enquadradas nos crimes de lesa humanidade e de apartheid, os terroristas ainda são palestinos, os mortos nas capas dos jornais ainda são israelenses, e os assassinatos de palestinos ainda são números.

A infância roubada das crianças palestinas

A infância roubada das crianças palestinas

Transpondo entre terror e esperança, em Ich’allah, quem figura o desejo de liberdade são as crianças, escolhidas para atuarem no filme no próprio campo de refúgio, cenário das gravações, e que, portanto, mostraram com naturalidade o que são e só, pois é assim que enxergam o mundo desde que nasceram. Não conhecem outra realidade que não a cercada por soldados armados, grandes muros, cercas e checkpoints, realidade que faz com que não sejam “crianças comuns”. Em cenas quase sufocantes, elas não temem nada, e sob qualquer ameaça, urram, agem de modo animalesco, o que nos leva a compará-las a animais enjaulados e maltratados. E é assim que crescem as crianças palestinas.

muro

Safi deseja outra realidade, do outro lado do muro

O retrato dessa realidade, com uma sutileza poética, é trabalhado com Safi, o irmão mais novo da palestina Rand. Personagem perturbador nas cenas de mais força do filme, seu olhar, que custa a fixar em um só ponto, vaga pelo lixão que beira o muro alto de concreto. Safi revira o lixo e admira os quadros da Cúpula da Rocha, de uma  Jerusalém que nunca conheceu. Desde sua primeira cena veste uma roupa de Superhomem, e certamente é o herói mais notório da trama, com seu silêncio tão particular, desassossegado e cheio de significação, ele bate sempre com uma pedra contra o muro.

Fez um buraco e já é possível enxergar o outro lado. Sussurra: “uma árvore bem grande. E uma outra, menor, que cresce ao lado dela. Ao lado dela”.

maio 29, 2013 at 4:48 am Deixe um comentário

Medida surpresa de autoridades da ocupação na Faixa de Gaza impede que crianças visitem seus pais prisioneiros

Segundo pesquisador, a idade máxima teria sido manipulada; antes era permitida a entrada de filhos de até 10 anos de idade, hoje a permissão é para até 8 anos, o que impediria a visita de relevante porcentagem do número total de crianças palestinas

Por Sâmia Gabriela Teixeira (com informações do Comitê Nacional de Solidariedade aos Pres@s Polític@s Palestin@s em Israel)

O Centro de Estudos dos Prisioneiros da Palestina afirma que a  autoridades de ocupação manipularam as permissões de visitas aos presídios da Faixa de Gaza para crianças que, agora, abaixo de 8 anos, não podem mais ver seus pais, irmãos e parentes prisioneiros.

Mães palestinas com seus filhos aguardando autorização em checkpoint israelense (Foto: ActiveStills)

Quem afirma a manipulação é o pesquisador Riad Al Ashqar , diretor do centro de informação. Segundo ele, a ocupação tomou a medida de modo a surpreender as famílias dos prisioneiros, condicionando a entrada de crianças com no máximo 8 anos. De acordo com Al Ashqar, a maioria das crianças visitantes passam de 8 anos, e explica que isso se deve ao fato de que houve um período de 6 anos de proibição de visitas aos prisioneiros, resultado punitivo durante os acordo de liberação do soldado israelense Gilad Shalit, e que, portanto, a média de idade das crianças estaria fora do novo limite imposto pelo sistema prisional israelense.

O pesquisador relata que a ocupação havia prometido aos prisioneiros, durante reunião realizada há um mês, na prisão Hadarim, com a presença do vice-diretor prisional de Bethun e representantes dos prisioneiros palestinos da Faixa de Gaza, a permissão de visitas das famílias acompanhadas com crianças de até 10 anos de idade. Além desta garantia, acordaram uma série de direitos, chamados pela administração prisional de “Programa de Facilitação para os Prisioneiros”, apresentados numa tentativa de controlar o crescente número de protestos realizados após o a morte do prisioneiro Maysara Abouhmdah. Al Ashqar diz que, “como sempre a ocupação não cumpriu os seus compromissos e reduziu a idade máxima permitida de crianças de 10 para 8 anos”, e apelou aos órgãos internacionais, em especial à Cruz Vermelha Internacional, para intervir e instaurar um novo programa de visitas as prisioneiros de Faixa de Gaza, como no passado, de modo que o prisioneiro possa receber  visita da família uma vez por mês, e não a cada 6 meses, bem como exigir da ocupação a permissão de visitas para crianças de até 16 anos.

As prisões da ocupação ainda detêm 455 prisioneiros da Faixa de Gaza, entre eles vários prisioneiros veteranos detidos desde antes de 1994.

Você consegue imaginar como é a rotina das crianças que visitam seus pais, irmãos e parentes nas prisões israelenses? Assista ao vídeo abaixo:

maio 6, 2013 at 4:07 pm Deixe um comentário

Seria o início da Terceira Intifada Palestina?

Dezenas de manifestantes, principalmente adolescentes, são feridos no segundo dia de protestos na Cisjordânia

Por Sâmia Gabriela Teixeira

Manifestante palestino empilha pneus incendiados em frente ao muro do Apartheid

Centenas de pessoas tomaram as ruas na Cisjordânia e Faixa de Gaza em protesto contra a morte do prisioneiro palestino Arafat Jaradat, morto sob tortura na prisão de Meggido, em Israel.

De acordo com a Associação Addameer de Defesa aos Presos Palestinos e aos Direitos Humanos, a autópsia do corpo confirmou claros sinais de tortura, com marcas no peito, costelas quebradas e ferimentos nos lábios e rosto. O Ministro de Assuntos sobre Detidos da Autoridade Palestina também confirmou a morte de Arafat sob condições de tortura e derrubou a explicação das autoridades do sistema carcerário de Israel de que o palestino teria morrido em decorrência de um ataque cardíaco.

Desde sua morte e funeral, manifestantes realizam protestos pelas ruas e próximo ao portão da prisão de Ofer, em Ramallah. No local, as polícias israelenses reprimiram os manifestantes e atacaram com balas revestidas de borracha, ferindo onze pessoas.

Em Belém, um garoto de 13 anos de idade, Muhammad Khalid al-Kird foi seriamente ferido por uma bala revestida de borracha, que lhe atingiu a cabeça, de acordo com informações da Crescente Vermelha.

Uday Sarhan, de 16 anos, também teve a cabeça atingida e, segundo a ativista Shahd Abusalama, segue em tratamento intensivo e já passou por cirurgia. Segundo ela, o garoto ainda corre o risco de morte.

Outros adolescentes ficaram feridos próximos a uma torre de controle militar.

Na região da Mesquita Bilal bin Rabah, ao sul de Jerusalém, na periferia de Belém, soldados israelenses utilizaram munição real contra manifestantes. Na região do campo de refúgio Aida, um garoto foi atingido duas vezes por munição real, e outros manifestantes o retiraram do local para receber socorro.

Na foto acima, a mãe de Muhammad Khali al-Kird observa seu filho hospitalizado

 

Garoto palestino ferido por munições reais é levado por manifestantes para longe dos protestos em Hebron (Foto: Ryan Rodrick Beiler)

 

Assédio contra palestinos e violência militar

Manifestante é ferido com bala revestida de borracha. Organizações de direitos humanos avaliam o uso deste arsenal “menos letal” inadequado pelas forças israelenses

Um ativista brasileiro que prefere não se identificar conta que, em uma casa situada na conhecida cidade fantasma em Hebron, uma família palestina foi atacada por colonos que lançaram garrafas de coquetel molotov na residência, e que dois dias depois ainda era possível ver as marcas e o cheiro dos rastros do ataque. Segundo o ativista, para cada 400 colonos israelenses, existem dois mil soldados para protegê-los. Além deste embate em relação aos assentamentos ilegais e a violência e força desproporcional entre colonos e palestinos, o ativista afirma que o trabalho das equipes de socorro, como a Crescente Vermelho, é prejudicado pelos ataques dos soldados israelenses, que aproveitam o aglomerado de pessoas próximas as ambulâncias no momento de entregar a vítima aos socorristas para atirar munições revestidas de borracha. Considerada pelas autoridades israelenses como arsenal “menos letal”, a bala revestida de borracha matou, de 1987 a 1993, ao menos 20 palestinos. De acordo com um estudo divulgado pela revista Lancet, em 2000, o uso da bala de borracha pelas forças israelenses contra os palestinos é impreciso, e o direcionamento do disparo resulta em ferimentos graves, provocando um número preocupante de mortes. De 152 vítimas, o estudo revelou que 201 lesões são vistas no rosto, cabeça, pescoço e o peito, indicando manuseio impróprio e alvos que provocam ferimentos graves e de probabilidade fatal alta.

Tortura nas prisões de Israel

Privação de sono, espancamento, humilhação e negligência médica são práticas comuns nas prisões israelenses (Foto: AP)

A jornalista israelense Amira Haas, em artigo publicado pelo jornal Haaretz, afirma que depois da morte de Arafat Jaradat chegou a hora de “interrogar os interrogadores”, salientando que é prática habitual que os presos palestinos nas prisões de Israel sejam privados de sono, acorrentados severamente, espancados, e que sofram humilhação e negligência médica. Isso, conforme ativistas e organizações de Direitos Humanos, é considerado tortura.

De acordo com a Associação Addameer de Defesa aos Presos Palestinos e aos Direitos Humanos, o corpo de Arafat Jaradat, capturado pelas forças israelenses em 18 de fevereiro e morto no último sábado (23), mostra marcas que confirmam a morte por tortura, durante ou logo após interrogatório na prisão de Meggido, em Israel.

A esposa de Jaradat ainda relatou que um oficial das forças israelenses permitiu que o palestino, durante a detenção, voltasse para se despedir da esposa. Por isso, ela acredita que o assassinato já era premeditado.

 

Quem era Arafat Jaradat

Familiares de Arafat Jaradat em seu funeral. O palestino foi morto sob condições de tortura

Arafat nasceu em 14/1/1983. Era da Vila Sa’eer, próxima a Hebron. Ele era casado e tinha duas crianças, uma de três anos e outra de dois anos. Sua esposa, Dalal, espera um outro filho de Arafat, que deve nascer em junho.

Ele cursava o primeiro ano na Universidade Al Quds, foi preso no dia 18/2/2013, no centro de detenção de Jalameh, onde foi submetido a longos interrogatórios. Ele não sofria de nenhum problema de saúde. O advogado da Associação Addameer de Defesa aos Prisioneiros Políticos Palestinos afirmou que Arafat não reclamava de nenhum problema de saúde, relatando apenas sentir dores nas costas, o que confirma a responsabilidade da Ocupação por sua morte.

Terceira Intifada anunciada

Nas redes sociais, ativistas compartilham fotos de manifestações e consideram a morte do prisioneiro Arafat mais um motivo de preocupação em relação aos prisioneiros políticos em greve de fome nas prisões de Israel, como o caso de Samer Issawi, sem comer desde agosto de 2012. Para ativistas e palestinos, este também é o estopim para que se inicie uma Terceira Intifada.

Abaixo, assista ao vídeo que mostra manifestantes jogando pedras contra jipes israelenses na Cisjordânia:

fevereiro 26, 2013 at 6:09 pm Deixe um comentário

A luta por soberania alimentar na Palestina

Ativista alerta para a restrição da comida como ferramenta de controle em territórios ocupados palestinos

Por Sâmia Gabriela Teixeira (publicado originalmente na 4ª edição do jornal IQRA)

Em fevereiro de 2002, por ordem do governo israelense, aviões fumigadores pulverizaram substâncias tóxicas sobre 1.200 hectares de cultivo agrícola na região de Negev, próximo a cidade de Beersheva. Esse crime ambiental se repetiu em outubro de 2002, abril de 2003 e abril de 2004. Os campos agrícolas eram cultivados há anos por árabes beduínos, mas Israel reivindicava aquelas terras, e o então ministro de Planejamento, Ehud Olmert, à época, chegou a declarar que os beduínos deveriam abandonar a região por bem ou à força, para que no local fossem construídas novas colônias judias, dando prosseguimento a constante ampliação dos assentamentos israelenses ilegais.

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Palestinos protestam contra a derrubada de árvores centenárias

Para falar sobre isso e outras tentativas de eliminar a cultura e o território palestino, um ativista vindo da Jordânia segue em turnê pela América Latina e chegou ao Brasil no mês de novembro, para dar palestras que revelam a política de limpeza étnica israelense.
Qais Al-Hinti é palestino, nasceu na Jordânia. Seus pais e avós são refugiados de Jaffa, por isso, podemos afirmar que Al-Hinti pertence ao território palestino, e que o território palestino pertence a Al-Hinti. Ele é, portanto, um palestino que nasceu refugiado.
O ativista que hoje mora em Amã, na Jordânia, dedica a vida a projetos em defesa de preservação da cultura, natureza e do folclore da Palestina histórica. Ele atua na Sociedade Al Hannouneh pela Cultura Popular, e realiza palestras para alertar sobre as violações dos direitos mais fundamentais aos palestinos e sobre os crescentes ataques israelenses ao ecosistema dos vilarejos e campos palestinos, por meio do trabalho com o Grupo Árabe para a Proteção da Natureza (APN em inglês) e de seu projeto pessoal intitulado “Palestine Sunbird”, que tem como referência e exemplo o Pássaro do Sol da Palestina, ave cujo nome já foi alvo do Estado de Israel para que fosse modificado para Pássaro do Sol de Israel.

As manifestações de protesto contra o desmatamento provocado pela ocupação israelense são comuns nos territórios palestinos ocupados

Soberania Alimentar
No Brasil, o ativista esteve presente durante o Fórum Social Mundial Palestina Livre, o primeiro a ser realizado com este tema e que contou com mais de 30 delegações de diversos países. Al-Hinti foi convidado para vir ao evento, no qual apresentou o seu trabalho, desenvolvido e tendo como estrutura importantes pilares para a resistência palestina, como a defesa da cultura, da agricultura e do ecossistema, e da “Soberania Alimentar”.
O último tema traz à tona um importante debate que vai além do termo já conhecido “Segurança Alimentar”, e que nos apresenta um quadro crítico na Palestina, sobretudo na Faixa de Gaza, diante de um controle israelense absoluto sobre o que pode ou não ser cultivado pelos palestinos e o que entra e sai da região. “Na Faixa de Gaza, por exemplo, só existe o mercado israelense. Os palestinos não podem comprar nada de fora. O que chega de fora vem clandestinamente por túneis que ligam a região ao Egito. Se não é por esses meios, o que chega é encaminhado por agências humanitárias, mas isso não ajuda a amenizar o que mais afeta a população e que prejudica diretamente a produção agrícola, o emprego local e, principalmente, o direito de escolher o que se deseja consumir”, explica Al-Hinti. Segundo ele, na Faixa de Gaza é permitido somente o cultivo de morango e flores, sem autorização para o plantio de verduras e legumes. “Israel garante suporte para o comércio de flores e morangos, e as pessoas acabam aceitando, por necessitarem de algum ganho financeiro. Mas as pessoas em Gaza precisam de comida, e não de morangos e flores. Então os agricultores não conseguem vender dentro de Gaza ou da Cisjordânia, e têm de exportar o produto. Mas Israel não facilita e tem o controle da exportação também. O que significa que eles perdem, com o tempo, o que foi cultivado, não geram renda e não têm nem mesmo o que comer. É um benefício zero”, explica o ativista.

Ghniem

Os processos de colonização na região de Ghniem

Outro problema é o que Israel chama de áreas restritas, ou ARA, em inglês. Segundo relatório da ONU de 2011, 35% das terras cultiváveis de Gaza e 85% da área marítima fazem parte das áreas restritas, sendo regiões totalmente ou parcialmente inacessíveis aos palestinos. “Além desse problema, 75% da terra cultivável em Gaza foi destruída durante o ataque israelense entre os anos de 2008 e 2009. As terras foram contaminadas por fósforo branco e outras armas internacionalmente ilegais, e na Cisjordânia, muitas das terras agrícolas foram confiscadas para a construção do muro do Apartheid, que cercam o que chamamos de ‘linha verde’, uma área vigiada por postos de controle. Resumindo, em Gaza não há terras cultiváveis nem Soberania Alimentar, e o que chega de fora vem por vias ilegais ou por meio de agências humanitárias. Na Cisjordânia, a entrada de produtos é controlada pelo sentimento do soldado israelense do check point. Normalmente, ele não está bem humorado e não autoriza”, complementa Al-Hinti.

Protesto na avenida Paulista contra os ataques aéreos em Gaza (Foto: Sâmia Gabriela Teixeira)

Clássica foto da palestina agarrada ao tronco de uma oliveira

Alimentação e revolução
No Brasil, a distância entre movimentos políticos e sociais de organizações e causas ambientais é muito comum. Para Al-Hinti, as duas vertentes de mobilização devem convergir, pois são intrínsecas. “Costumo citar a frase do ex-secretário de Estado da era Nixon, Henry Kissinger: ‘Quem controla o petróleo, controla as nações. Quem controla a comida, controla as pessoas’. Obviamente, uma família palestina que se preocupa durante o dia todo se terá ou não o que dar de comer às crianças, não consegue ser parte atuante no processo de resistência. O que temos de combater é exatamente essa estratégia. Não podemos deixar que a comida seja uma ferramenta para controlar as pessoas”, destaca.

Em 2008, autoridades israelenses realizaram testes para uma pesquisa que visava avaliar qual o limite de nutrição miníma que um palestino em Gaza precisaria para sua sobrevivência. A pesquisa gerou polêmica e organizações de Direitos Humanos, entre elas a Gisha, denunciaram a Coordenadoria de Atividades do Governo no Território, responsável pelo trabalho científico israelense. Segundo o cálculo dos estudos, um palestino de Gaza precisaria de 2.279 calorias diárias para não sofrer desnutrição. Os números serviram de média para definir o peso máximo de alimentos que poderiam entrar em Gaza.

Para conhecer mais sobre o trabalho de Qais al-Hinti, acesse a página no Facebook: http://www.facebook.com/PalestineSunbird

PSB2

janeiro 17, 2013 at 6:41 pm 2 comentários

IQRA Especial Palestina Livre

A 4ª edição é especial!

A próxima edição do IQRA está pra chegar! Desta vez traremos um especial com reportagens sobre o Fórum Social Mundial Palestina Livre, que aconteceu entre os dias 28 de novembro e 1º de dezembro em Porto Alegre, com matérias sobre o trabalho do cartunista Latuff, sobre a campanha de Boicote, Desinvestimentos e Sanções, Soberania Alimentar em Gaza, além de um relato sobre a atividade que a União Nacional Islâmica e o Movimento Palestina Para Tod@s articulou com o Movimento Mães de Maio e a ativista palestina Abla Saadat, sobre violência de Estado e as relações políticas e comerciais do Brasil com Israel.

A 4ª edição traz também um texto do sheikh Mohamad Al Bukai sobre o novo ano que se inicia, dicas culturais, informações de utilidade pública e mais dados sobre a situação na Síria e a campanha da UNI “S.O.S Síria”.

Não perca, fique atento! Abaixo, um gostinho do que está por vir:

IQRA nº4 CAPA

janeiro 11, 2013 at 8:17 pm Deixe um comentário

TOD@S ao ato público de solidariedade à Gaza

Movimentos convocam ato público em solidariedade à Palestina

O sobrevoo de drones, apaches e caças F16 sobre Gaza continua

Com o temor de que Gaza voltasse a sofrer o genocídio ocorrido entre dezembro de 2008 e 2009, quando um ataque militar israelense matou cerca de 1500 pessoas, a maioria mulheres e crianças, movimentos que defendem a causa palestina em todo o mundo se manifestaram nas ruas e nas redes sociais.
A Frente de Defesa do Povo Palestino – SP, com o apoio do Movimento Palestina para Todos e de outros diversos movimentos, realizou ato público no último dia 16 em São Paulo, com concentração no vão livre do Masp e caminhada até a esquina da rua Augusta.
A atividade reuniu cerca de 150 manifestantes, que protestaram contra os recentes ataques em Gaza e a preocupante escalada de violência na região nos últimos dias.
A estratégia de eliminar vários palestinos de uma só vez tem origem desde antes da criação do Estado de Israel, em 1948, quando de maneira mais agressiva o estado sionista iniciou sua limpeza étnica sistemática pelos territórios da Palestina, expulsando palestinos que ali viviam há muitos séculos.


Tal prática não mudou com o passar dos anos e o governo de Israel prossegue com as destruições de casas, vilarejos e plantações, e com os bombardeios a cidades populosas como Gaza, que conglomera áreas civis a campos considerados alvos militares pelas forças de defesa israelense.
Nas últimas semanas Israel iniciou uma nova ofensiva sobre Gaza. Desde então, segundo os últimos dados atualizados pelo Movimento Palestina Para Todos, a lista de mortos indicam 160 baixas de civis palestinos, centenas de feridos e 3 mortes de israelenses.
Para piorar a situação, os hospitais de Gaza não têm equipamentos nem remédios suficientes para atender tanta gente. Segundo o ativista Hani Silliman, medicamentos para o tratamento de doenças graves entram com dificuldade em Gaza. Além disso, ele relata que há poucos equipamentos médicos e até mesmo suprimentos básicos para o atendimento de urgência. Wesan Mousa, ativista palestino morador de Gaza, relatou que os grupos que se mobilizam para ajudar as vítimas dos ataques, principalmente os desabrigados, precisam de ajuda. Mas, antes disso, segundo ele, a comunidade internacional precisa pressionar o fim do bloqueio a Gaza, para que a ajuda humanitária estrangeira chegue ao destino. Reforçando a mensagem, a União dos Comitês de Trabalho de Saúde na Palestina lançou nota pública pedindo também mobilização internacional política para que os palestinos possam receber medicamentos e outros suprimentos médicos.
De acordo com um relatório dos ministérios da saúde e da defesa de Israel, resultado de uma pesquisa realizada justamente em 2008, ano do massacre israelense em Gaza, os palestinos sofrem até mesmo com a limitação de alimentos que entram em Gaza. As calorias distribuídas aos palestinos eram calculadas e reduzidas gradativamente para testar o número mínimo de calorias necessárias que um morador de Gaza poderia consumir para não sofrer desnutrição.
Hoje, por volta das 7 horas da manhã na Palestina, ainda era possível ouvir o som de drones e F16 sobrevoando baixo. O terror psicológico e as táticas espiãs de Israel continuam atordoando os moradores de Gaza.
Por isso, contra as 162 mortes, as centenas de feridos e as constantes violações das necessidades e direitos mais elementares do povo palestino, no próximo domingo (25) estaremos reunidos para protestar contra mais essa ação criminosa do governo de Israel e exigir que o governo brasileiro rompa os acordos militares com Israel.

Queremos a Palestina livre!

Movimento Palestina Para Tod@s,
com o apoio da União Nacional Islâmica

O Movimento Palestina Para Tod@s está à disposição para fornecer informações e intermediar entrevistas com palestinos da Faixa de Gaza.

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Contatos:
Sâmia Gabriela Teixeira – (11) 96442-6676
Maura Silva – (11) 97169-0322

Participe do Fórum Social Mundial Palestina Livre, que acontecerá em Porto Alegre entre os dias 28 de novembro e 1o de dezembro. Mais informações no site wsfpalestine.net.

novembro 22, 2012 at 5:14 pm Deixe um comentário

TODOS AO ATO PÚBLICO EM SOLIDARIEDADE A GAZA!

Saiba mais no site do Movimento Palestina Para Todos

novembro 15, 2012 at 1:35 pm Deixe um comentário

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