Portfolio acadêmico

Aqui você confere minhas primeiras reportagens produzidas nos laboratórios da faculdade:

Histórias Anistiadas

A celebração aos grandes líderes da época do Regime Militar apaga importantes histórias perdidas no tempo

O Golpe Militar de 1964 revela um regime originário da quebra de instituições em plena atividade, de um governo legal e democrático, portanto, que viola os direitos dos cidadãos de uma sociedade participativa politicamente, certo? Pode até ser que a maioria pense assim hoje em dia, mas não foi ideia unânime em tempos de repressão.

A luta armada contra o Regime Militar foi uma opção aos combatentes esquerdistas, acabando ou modificando definitivamente destinos e vidas de pessoas envolvidas em ambos os lados. Delatores, injustiçados, arrependidos, assassinos ou mortos, todos faziam parte desta guerra.

Selva, campo de batalha

O local escolhido para travar uma luta armada era excelente. A maior parte da população era pobre e, embora não fossem politizados, detestavam grileiros e policiais. Um público que se encaixa perfeitamente em posição contrária ao imperialismo e repressão política.

Este era o principal ponto positivo dentro dos planos. A mata também era uma vantagem. A área tinha poucas estradas, condições de caça e muitos frutos. Fator favorável à sobrevivência. Existiam meios de alimentação e pouca visibilidade e apesar de o grupo ser pequeno e mal armado, era o único foco de combate à opressão no país: A guerrilha do Araguaia.

Permanecendo por mais de vinte meses na região, não era raro notar certa aproximação entre guerrilheiros e moradores locais, uma vez que contribuíam com assistência médica, dentária, alfabetização e politização das comunidades humildes que sofriam com a tirania de grileiros e militares.

Com o tempo, a presença ostensiva do exército na região espalhou terror na população que sofria com prisões e torturas. Guerrilheiros foram para São Geraldo, São Domingos e Transamazônica e muitos deles vinham de grandes centros urbanos, como a turbulenta cidade de São Paulo, que também apresentava combatentes motivados a manter uma luta armada contra o militarismo.

Cenário Urbano

Os policiais do Departamento de Ordem Político e Social (DEOPS) caçavam qualquer manifestação ou propaganda de cunho esquerdista. Durante o governo do general Médici, notícias sobre o esquadrão da morte, racismo e índios eram proibidas de serem veiculadas. Em mesmo período, Carlos Marighella, professor e dirigente da Ação Libertadora Nacional (ALN), é executado cruelmente em armadilha montada pelo delegado do DEOPS, Sérgio Fleury, em São Paulo. E enquanto líderes de grupos de guerrilhas urbanas eram capturados, esquerdistas revolucionários se preparavam melhor para antever armadilhas e delatores.

Esli Alves da Silva, 1º sargento da Policia Militar de São Paulo, participava de intervenções em sindicatos e fábricas, monitorando movimentações a fim de evitar greves ou manifestações de operários. Fora das operações de censura, o sargento tinha como posto de trabalho o aeroporto de Congonhas, local de grandes atentados a bomba de autoria, muitas das vezes, de membros do próprio exército que não concordavam com o sistema ditatorial do país. “Tentavam assim, a qualquer custo, desestabilizar o poder”, comenta Esli.

Enquanto a Guerrilha do Araguaia alistava militantes de São Paulo, os que ficavam na cidade também se organizavam contra o governo.

Carlos Lamarca dirigia a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e planejava provocar uma luta armada urbana. Dentro de seu grupo participavam alguns estudantes secundaristas, dentre eles Celso Lungaretti, rapaz tímido, aluno da Escola Estadual MMDC, ávido por conhecimentos marxistas e grande amigo de Eremias Delizoicov, morto e desfigurado com 35 tiros disparados pelo grupo liderado por Sérgio Fleury. Na época, vivendo seus 18 anos e cheio de utopias, Lungaretti acreditava que seria capaz de realizar qualquer operação em prol da organização revolucionária, até mesmo matar.

Enquanto se aprofundava nos fundamentos socialistas, o líder do grupo, Lamarca, defendia bravamente o poder nas mãos do povo, mas pouco conhecia sobre a teoria política. “Era um típico modelo militar”, comenta Lungaretti.

Tais diferenças de visão poderiam, com o tempo, divergir nas escolhas e atitudes dos membros do grupo.

“Ao ver um filme sobre o Mandela, descobri uma boa definição sobre o revolucionário que fui. Perguntaram ao Mandela se ele mataria por seus ideais e ele responde que seria capaz de morrer por seus ideais. E é assim que eu pensava, embora estivesse em uma luta armada”, relata o militante.

A VPR seguia sua luta com algumas mudanças administrativas e Lungaretti se aproximava mais dos planos de Lamarca.

Uma área de treinamento foi criada na região de Registro, interior de São Paulo. Lungaretti ficaria pouco tempo neste novo campo de treinamento e, quando soube sobre morte de companheiros, pediu que retornasse imediatamente às atividades urbanas. Voltou incumbido de trabalhar no setor de inteligência, no Rio de Janeiro.

 

A captura

Por volta das 6h45 da manhã do dia 16 de abril de 1970, Lungaretti tomava um café na padaria. Podia vagar nos pensamentos e notar que naquela época se considerava um veterano. Estava vivo há um ano, o que significava um milagre dentro de um grupo revolucionário esquerdista.

Enquanto tomava seu café da manhã, subitamente cinco homens o cercaram dentro do estabelecimento. Era impossível resistir às pancadas e raciocinar para entender o que estava acontecendo. Lungaretti foi levado ao Departamento de Operações de Informações (DOI-CODI) do Rio de Janeiro, onde sofreu tortura física e psicológica. “Levei choques e muita porrada. Nada satisfazia a escória daquelas pessoas. O barulho das outras salas de tortura criava uma trilha sonora terrível. Um cabo chamado Polvarelli, que lutava judô e deveria pesar uns 140 quilos, me deu um tapa de mão aberta em meu ouvido, o que fez meu tímpano estourar”, relata.

Ao sofrer por dias as torturas, Lungaretti, sabendo que a área de treinamento em Registro já havia sido desativada, contou sobre o local, sem imaginar o que isso ainda poderia causar.

Lamarca, sem considerar o abandono da área, o condenou como traidor e Lungaretti foi ignorado por seus companheiros combatentes. Sem poder ser incluso na lista de trocas do seqüestro do embaixador alemão, permaneceu no campo de tortura e acabou sendo forçado a se arrepender publicamente. Um tenente o ordenou a escrever uma carta aos jovens brasileiros, para que desistissem da luta armada. De certa forma, Lungaretti afirma que havia traços de sinceridade na carta. “Eu sabia que por mais que estivéssemos certos, não conseguiríamos derrubar um governo”, conta. Em seguida foi levado aos estúdios da Rede Globo, no Jardim Botânico, e leu sua carta em rede nacional.

O líder da VPR morreu em 1971, na Bahia, com apenas um aliado ao seu lado. “No Vale do Ribeira, Lamarca estava acompanhado de 9 companheiros contra 5 mil militares bem armados. Eu sabia, conforme fui amadurecendo, que sobreviver aos repressores era fisicamente impossível. Nossos ideais não garantiriam nossas vidas”, explica.

De outros ângulos

O 1º Sargento Esli Alves não considera que o comunismo tenha boas intenções. Lamarca havia matado um oficial que considera ter sido assassinado injustamente. “Nós apenas seguíamos ordens. Ninguém deveria ser morto. Se prendíamos alguém havia um motivo. Nunca pegávamos inocentes e as manifestações subversivas exigiam um controle pelo bem do país”, declara.

José Castro, neste mesmo período, aos treze anos, estudava em um colégio interno de padres salesianos na cidade de Campinas e a condição de permanecer em local não vigiado por militares o serviu de proteção. Ao menos no interior da escola. “Na época, qualquer aglomeração, por menor que fosse, era totalmente reprimida por policiais e militares. Nunca mais me esquecerei de quando fui preso por militares. Eu estava reunido com um grupo de estudantes na estação da Luz, iríamos voltar para Campinas e isto era possível somente com autorização judicial, e, naquele momento, não portava nenhum documento, apenas esta autorização”, conta Castro.

Mesmo sendo apenas estudante de um colégio salesiano, permaneceu preso nas dependências do DOI-CODI de São Paulo, local temido e famoso por ser palco de grandes execuções e torturas. “Não sofremos agressões físicas, mas nossas explicações só ficaram ‘claras’ o suficiente após três dias, quando resolveram nos soltar” e conclui: “Para mim a polícia militar de hoje, sem generalizar, ainda carrega muitos traços e erros da ditadura.”

Tempos de democracia

Trinta anos após a Anistia, as pessoas envolvidas direta ou indiretamente nesta época, sofrem com pensamentos que não cabem em nenhuma justificativa para o terror vivido nos anos de chumbo.

Polvarelli, o cabo que destruiu definitivamente a audição de Lungaretti, depois de sua carreira militar terminada, virou guarda-costas de Ailton Guimarães, ex-capitão do exército e responsável por matar esquerdistas durante a ditadura. Em 2007 fora acusado pela Polícia Federal de chefiar a máfia do bingo, jogos de azar e subornar membros do Executivo, Legislativo e Judiciário.

Lungaretti, desde liberto jornalista e escritor, atualiza em seu blog as principais informações a respeito de militares e repressores da época de chumbo e sabe julgar melhor hoje o que é liberdade, radicalismo e opressão. “A VPR não admitia a inclusão da grande massa e não considerávamos a Guerrilha do Araguaia um grupo consciente. Não é certo incluir pessoas humildes e despreparadas em planos contra militares treinados e bem armados. Prefiro ser um revolucionário que defende os direitos humanos acima de qualquer circunstância”, afirma.

Esli Alves, hoje major aposentado, não acredita que a democracia exista de fato e respeita com devoção, a organização e os profissionais da época da ditadura. “Eram terroristas a serem capturados e seriam, da mesma forma, hoje também”, comenta.

Certamente os pensamentos podem evoluir e amadurecer com o tempo. O que sempre foi muito valorizado por Lungaretti e registrado em sua tímida história. Para ele, os jovens de hoje se dedicam muito ao crescimento pessoal, mas se esquecem da evolução humana que na realidade deveria seguir o progresso de uma sociedade. Sendo assim, fica a pergunta: daqui de onde estamos, para onde progrediremos?

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Descubra mais sobre um monumento inaugurado durante as comemorações do Centenário da Independência do Brasil

Os Caminhos de uma poesia
Fragmento de monumento a Olavo Bilac fez parte de grandes transformações históricas

Todos se mobilizavam a recolher donativos. Na lista de arrecadação os valores variavam de cinco a dez mil réis. Havia quem doasse números superiores a vinte mil.
No Largo da Sé as senhoras Rosário Cueto e Luiza Corranego, acompanhadas por escoteiros, tinham, como distintivos, medalhas de Olavo Bilac que reluziam e garantiam a credibilidade da arrecadação de donativos para a construção do monumento em homenagem ao patrono militar e príncipe dos poetas.
Dois dias antes da comemoração do Centenário da Independência crianças da colônia espanhola entregavam flores aos membros da Liga Nacionalista, responsáveis pela arrecadação de verba e encomenda do monumento esculpido pelo artista sueco William Zadig.
As pessoas esperavam ansiosamente as diversas comemorações e, com a chegada do grande dia, diversos locais de São Paulo preparavam alguma homenagem que mantivesse a chama nacionalista acesa para celebrar os 100 anos de Independência.
Às 11 horas da manhã do dia 7 de setembro, o quinto Batalhão de Caçadores tocava na praça localizada no final da avenida Paulista, anunciando a inauguração do monumento a Olavo Bilac.
As cinco esculturas remontavam os ideais do poeta nacionalista falecido no ano de 1918 e, em especial, uma cena retratava os temores de Bilac quanto ao destino de sua nação.


O fragmento do monumento, Pátria e Família, com seus cinco personagens em bronze, representa a cena do enterro de um soldado. O homem fardado segura a bandeira brasileira. A criança de olhar perdido tem a cabeça baixa em direção ao túmulo.
Enquanto viajava pela Europa, Olavo Bilac experimentou os terrores das guerras deste período, retornou para o Brasil e desde então buscou conscientizar os jovens de que devem defender seu país nestes casos extremos de conflito ou em decisões políticas.
Assim, a obrigatoriedade do alistamento militar era defendida em um momento em que a Belle Époque já havia perdido seu encantamento e as pessoas já desacreditavam na bondade humana.
Neste mesmo período, enquanto o amor à pátria era extremamente divulgado, paralisações com influências anarquistas abalavam a estrutura política do país. A grande greve de 1917 teve notável importância e traçou o início de ideais e protestos de operários.


O monumento de Bilac esteve na região da avenida Paulista até o ano de 1936. Por complicações com o trânsito, foi desmembrado e o fragmento Pátria e Família, símbolo maior do nacionalismo do poeta, ficou esquecido por mais de 50 anos no Viveiro Manequinho Lopes, na região do Ibirapuera.
Em 1988, com Jânio Quadros como prefeito, o presidente da Sociedade Amigos do Tatuapé, Antonio de Paiva Monteiro Filho idealizou a instalação de um monumento no marco inicial do bairro. Pátria e Família teria seu novo espaço conquistado.
Travis freqüentava a região, era um punk que em sua adolescência convivia com grupos anarquistas e defendiam sua ideologia confrontando com qualquer tipo de repressão e abuso de poder.
Certa noite do ano de 1988, Travis e seu grupo de amigos foram perseguidos por jovens, de ideais nacionalistas, contrários ao movimento anarquista: os carecas da zona leste.
A perseguição começou na estação de metrô do Tatuapé. O grupo de punks fugiu em direção ao Cemitério da Quarta Parada. Lá perceberam que faltava um amigo do grupo. “Ele deve ter escapado por outra saída”, pensou Travis. No dia seguinte soubera que um punk havia sido encontrado no cemitério por um coveiro. Seu amigo fora morto. As marcas de estiletadas nas costas de seu amigo não remetiam à beleza do sonho da anarquia. “Naquele momento, quando soube que ele havia morrido, senti uma vertigem tomar conta do meu corpo e um grande e desagradável frio na barriga. O punk que eu era estava adormecendo”, conta Travis.
Por volta das 10 horas da manhã do dia 23 de dezembro, o Hino Nacional era tocado pela Banda da Guarda Civil Metropolitana. O Inspetor Mincarelli regia a banda enquanto hasteavam a bandeira. Próximos ao monumento estavam o secretário Victor David, representante oficial de Jânio Quadros e o Presidente da Sociedade Amigos do Tatuapé, Antonio Paiva.
O monumento, impecável, brilhava seu bronze entre as esquinas das avenidas Salim Farah Maluf e Celso Garcia e não estaria no local se não fosse a fábrica de tecidos Santista incentivar a restauração, feita pela Belas Artes Rio.
“A decisão de escolher um restaurador do Rio de Janeiro foi de Jânio Quadros, mas a fábrica Santista foi quem arcou com todos os gastos”, afirma Antonio Paiva.


Enquanto o nacionalismo era festejado na inauguração do monumento Pátria e Família, no Tatuapé, Travis pensava que o anarquismo perdera a veia política. Grupos rivais conheciam seus discursos ideológicos, mas defendiam a prática da violência e intolerância.
Bilac deixava sua marca no bairro e Travis não seria mais do movimento punk. “Meus ideais de anarquia não valiam a minha vida”, afirma.
Adelina da Silva, com seus quarenta anos já morava no bairro do Tatuapé há quase uma década e se recorda da instalação do fragmento que homenageia o poeta Olavo Bilac. “Sempre respeitei muito o patrimônio histórico do país e nunca admiti vandalismo e desrespeito com nossas memórias e registros de outras épocas”, comenta Adelina.
Depois de onze anos situado no marco inicial do bairro, o fragmento Pátria e Família foi enviado para a praça Kennedy, na Mooca. “A transferência foi realizada pela necessidade de construir uma alça de acesso entre as duas avenidas”, comenta o vereador Antonio Paiva que continuou exigindo a permanência do monumento no bairro concretizando seu pedido com o auxilio de Luis Soares de Camargo, do Departamento Técnico do Patrimônio Histórico, e com o apoio da Administração Regional da Mooca.
No fim do ano de 1999 o monumento retorna ao Tatuapé e é fixado na praça José Moreno, entre as bibliotecas públicas Cassiano Ricardo e Christian Andersen.
A segurança da praça tem sido uma preocupação dos moradores da região e comerciantes.
Cláudia trabalha na biblioteca Cassiano Ricardo e recorda de quando começaram a concluir o pedestal do monumento a ser instalado. “Todos nós achávamos que seria construída uma base policial aqui. Antes fosse”, declara.
Travis com o tempo amadureceu seus valores de quando era jovem. Casou-se e ganhou uma família. O tempo também modificou o fragmento Pátria e Família.
Com um “A” de anarquia pichado na bandeira nacional, símbolo que possuía maior sentido no período da juventude do ex-punk Travis, hoje demonstra uma demarcação de território, ou talvez um simples ato de vandalismo e descaso com o patrimônio público.


Adelina da Silva, hoje com 62 anos, trabalha na mesma praça do monumento. Ela o acompanhou desde sua primeira inauguração e exerce função protetora da obra de arte. “Sempre que vejo estes adolescentes pichando ou jogando lixo no canteiro do monumento eu vou lá e mando saírem”, conta Adelina que tem sua barraca de doces e salgados no local há seis anos.
Emocionada, a antiga moradora do Tatuapé relata suas dificuldades, as mesmas que as cinco figuras em bronze sofrem. “Desde que estou aqui, minha barraca foi arrombada e roubada por três vezes. Tenho medo da falta de segurança no local”, afirma.
Adelina também contribui na limpeza da praça e compra, por conta própria, material de limpeza para a manutenção da calçada e canteiros.
Trabalhando das 9 horas da manhã até as 18 horas, a comerciante presencia tudo o que acontece na praça. “Sempre vem alguém dizendo que foi assaltado aqui na região. A iluminação daqui só foi colocada após abaixo-assinado dos moradores e comerciantes”, comenta Adelina que teve sua barraca fechada há cinco meses por determinação dos fiscais da subprefeitura da Mooca. Desde então ficou com contas e aluguel em atraso. “Quando comprei esta barraca me disseram que já existia o alvará de funcionamento, mas não era verdade e hoje estou lutando para conseguir esta licença”, relata.
Quanto ao atual estado do monumento Pátria e Família, o vereador Antonio Paiva relata: “O governo dá muita importância ao tombamento de obras de arte, mas a devida atenção quanto à manutenção e preservação destas obras não acontece como deveria.”
Antonio Paiva também é membro do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo, Conspresp, e afirma que os problemas existentes na praça e na manutenção do monumento Pátria e Família são discutidos em reuniões do Conselho.
O descuido do monumento desvaloriza não só o tema, mas a figura histórica que inspirou a obra de arte e toda a trajetória dela através do tempo.
Hoje, Travis enxerga de forma diferente o serviço militar a polícia e o Estado, mas mantém seus valores de base anarquista fundamentados no cooperativismo. “Participo de uma cooperativa de crédito no trabalho. Todo mundo deposita uma parte do salário e cria-se um capital. Deste capital empresta-se aos cooperados o valor pedido com 1,6% de juros e o valor destes juros, após um ano, é repartido entre todos. É um ciclo de benefícios e traduz bem o ideal do anarquismo”, diz o ex-punk que transferiu o anarquismo para algo mais possível.
As pichações com o símbolo libertário no monumento não trazem o mesmo impacto de antigamente e, se dependesse da comerciante Adelina, já teria sido limpo e restaurado. “Eu mesma já pensei em promover um mutirão e limpar a escultura”, comenta.
Pátria e Família, retrato de uma triste cena da família que perde um ente querido em prol da nação, é protegido pelos olhos marejados de Adelina que se recorda frequentemente da mãe falecida há oito meses e se emociona ao contar as dificuldades que enfrenta, a luta diária para manter sua barraca e a preocupação em manter seu local de trabalho agradável aos seus clientes, cuidando bem do monumento que já foi tão valorizado e que um dia reluziu limpo o brilho de uma poesia.

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2 Comentários Add your own

  • 1. Eliel  |  maio 29, 2009 às 12:12 am

    Olá minha querida seu blog esta um espetaculo o perfeito nele é que cada dia que passa ele evolui mais e mais por isso parabens e com certeza você tera um futuro brilhante um grande beijo e sucesso sempre…

    Responder
  • 2. Clara M Mantelli Guedes de Almeida  |  maio 4, 2010 às 12:41 pm

    Sâmia,
    Inteligência e sensibilidade é uma ótima combinação para o jornalismo feito por ti,aliada a clareza e competência.Vou te ler por muitos e muitos anos,sempre ascendendo na carreira.Parabéns!Beijo no coração.

    Responder

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